Cinema Para o Povo Sem Tela – Balanço do Projeto

Em agosto, com as últimas apresentações do projeto Cinema Para o Povo Sem Tela, completamos o projeto que levou o longa-metragem Doce de Coco a 25 cidades catarinenses. O projeto recebeu recursos do Funcultural.

    Dos 25 municípios que foram relacionados quando da aprovação do projeto, três foram substituídos porque não atenderam às condições necessárias para a apresentação do filme. São Miguel do Oeste, Urubici e Concórdia deram lugar a Treviso, Treze Tílias e Antônio Carlos.

O circuito de exibição não-comercial utilizou auditórios de instituições educativas e culturais, atingindo duas mil pessoas, a maioria composta por estudantes e educadores, embora os eventos fossem abertos para todos os interessados. Lamentavelmente, a afluência de público ficou muito aquém da nossa expectativa, pois estimávamos a presença de 25 mil pessoas. Alguns motivos podem ser elencados: muitos espaços acanhados e improvisados, comportando 30 a 50 pessoas; normalmente o horário das exibições à noite, conflitando com o hábito da maioria de ver televisão; público não afeito a ir ao cinema pela ausência de salas na cidade.  Destaque-se que a maioria dessas cidades não tem ou nunca tiveram sala de cinema, mas o mais grave é a constatação da ausência quase total de políticas públicas voltadas para a cultura.

Extremamente constrangidos com esses números, decidimos por conta própria doar cópias do filme em DVD. Nosso desejo é para que, a exemplo dos livros nas bibliotecas, as cópias fiquem ad infinitum à disposição de quem se interessar por aspectos formais ou pela temática do filme, e para que as instituições possam promover novas exibições, desde que sem fins comerciais.

Esperamos assim que essa alternativa propicie um resultado mais gratificante para o histórico do projeto, embora seja difícil mensurar números e estimar quantos ainda poderão ver o filme.

Devemos ressaltar que onde encontramos espaços maiores e qualificados para as apresentações o resultado foi muito gratificante, inclusive com as discussões sobre o filme e sua temática, envolvendo o diretor do filme, palestrantes contratados e pessoas da platéia. Gostaríamos de citar especialmente Tubarão, Treze Tílias, Timbó, Criciúma, Rio do Sul, Concórdia e Braço do Norte.

    Cinema Para o Povo Sem Tela tem abrangência além das fronteiras de Santa Catarina: foi com parte dos seus recursos que pudemos dispor de cópias em película para exibição no circuito de salas de projeção na bitola tradicional de 35 milímetros e estamos tendo a oportunidade de acesso ao novo circuito de salas de projeção digital, através do licenciamento do sistema RAIN, que detém exclusividade sobre esse processo. No plano nacional, o filme já foi exibido em 18 cidades nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul, com público estimado em 23 mil espectadores. Em Santa Catarina, teve sessões especiais no Paradigma Cine Arte, primeira sala de projeção digital de Florianópolis. Quando a sala de cinema do CIC for reaberta (ainda não há data prevista), o filme deverá ser exibido novamente, então com projeção em película.

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